A morte como acontecimento – Daniel Lins

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Palestra A morte como acontecimento, com Daniel Lins.

“Todo mundo é o primeiro a morrer”, afirma Ionesco na peça O Rei Está Morrendo. Pois bem, é sempre esta nova banalidade de cada morte que faz deste tema uma fonte inesgotável de inspiração. Como o sentimento amoroso, a morte é um assunto recorrente pelo qual toda recriação é uma criação, todo imitador e um iniciador. Mas, falar da morte não seria antes de tudo falar da existência? Eis por que a existência se encontra no centro da reflexão filosófica contemporânea e sua contingência remete à gratuidade, ao puro dom, mas também à precariedade. Inscrita no porvir e na temporalidade, entregue ao tempo, a existência encontra a morte como horizonte: a figura singular de minha existência é inseparável da idéia de minha morte.

Como pensar, neste contexto, a morte como acontecimento, a morte como um bloco de sentidos e afetos? Como compreender a morte como um encontro? Que relação há entre a morte e o erotismo? O erotismo como aprovação da vida inserida na morte. Como pensar, pois, a morte como puro acontecimento ou como quase acontecimento? A morte como acontecimento é a morte como singularidade. O acontecimento é único, imprevisível, sem horizonte. E neste sentido que a morte é o acontecimento por excelência. A arte cristã fornece ao imaginário inúmeros motivos oriundos dos ícones e da pintura de devoção: que pode a arte contra a morte? Pensar a morte como acontecimento não seria pensar a vida como uma bela arte? Trata-se de convocar os fluxos de vida como bela arte: a arte de inventar uma outra memória presente nos vivos e naqueles que nascerão.

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By | 2012-05-07T18:19:56+00:00 janeiro 16th, 2009|Vídeos|0 Comments