“Tornar-me imortal e depois, morrer…” respondia o personagem de Godard, apressado, ao descer do avião, para receber o grande prêmio literário… Por aqui, o velho provérbio árabe é repetido à exaustão: “Antes de morrer, você precisa plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho.” Por que o ser humano se deseja eterno? Por que a dificuldade de se crer mortal? Os rituais são as lembranças necessárias ao luto. Quando alguém morre, vai-se um pedaço de cada de todos. “Não gostaria de estar viva no ano 2000. Não seria mais o meu mundo”, assim falou Simone de Beauvoir, recusando a necessidade de estar presente. Como se inaugurar na contingência da mortalidade? “Depois que morremos, não somos mais mortais” diz Guimarães Rosa pela boca de um dos seus personagens. E, por ironia, Rosa morre logo após tornar-se imortal da Academia. É bom que a morte seja encantamento.

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